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O ônus da pirataria na construção civil

Gazeta Mercantil - 8 de Julho de 2008

A pirataria tem causado grandes danos à economia global. Pesquisas feitas com consumidores de artigos piratas como roupas e bolsas revelam que a disseminação em grande escala de produtos a preços tão baixos "justifica" o risco de comprar apenas para usar uma vez.
O Brasil tem sido um dos líderes mundiais nesse tipo de consumo, não só em artigos da moda, como em vários segmentos industriais, destacando-se combustíveis, remédios e materiais de construção, entre outros.

Segundo dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Material para Construção, cerca de 50% dos produtos comercializados no Brasil não possuem certificação técnica, o que os classifica no rol da pirataria. É um índice muito elevado para materiais e produtos cujo desempenho deve se dar ao longo de décadas, afinal já dispomos de financiamento de imóveis em até 360 meses (30 anos!).
O mercado brasileiro dispõe de uma grande oferta de materiais elétricos, hidrossanitários, cerâmicas, portas, ferragens e esquadrias, entre outros - aqui produzidos ou trazidos da China - que não atendem aos requisitos mínimos de desempenho das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
Estes materiais dominam o segmento da autoconstrução na periferia das grandes cidades e chegam até as grandes obras de alto padrão em construtoras que investem até 5% em marketing de vendas com apelos de morar bem e qualidade ISO 9001.
Um fato que chama a atenção na construção civil é que os produtos piratas chegam a custar quase o mesmo valor dos certificados, com diferenças muitas vezes abaixo de 15%. O que representa pouco pelo tempo de vida útil se comparado aos produtos certificados. Para terem o desempenho esperado ao longo dos anos, os materiais e sistemas construtivos precisam ter seus custos avaliados pelo critério de custo final, que considera manutenção e reposição por um período de cinco a dez anos.
A principal barreira para que a avaliação do custo final aconteça é cultural. O brasileiro não é conhecido por avaliar os custos ao longo dos anos com manutenção, reposição e depreciação. Com isso, ele acaba sendo atraído por ofertas com menor preço de aquisição inicial, quer seja a construtora na hora da compra dos materiais, quer seja o consumidor final na aquisição do imóvel. Na construção civil brasileira esse grave equívoco fica claro diante de uma das frases mais freqüentes entre compradores: "Este produto mais em conta também me atende".
No caso das portas internas de madeira, o mercado já está começando a enxergar os benefícios de um produto certificado e a assimilar as vantagens do seu custo final. A indústria tem apresentado nos últimos dez anos soluções como o sistema construtivo porta pronta, que contribui para a melhor performance de um dos itens com maior índice de reclamação e assistência técnica em todo o Brasil: a porta. Para reduzir esse índice, a Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci) vem promovendo uma revolução não só nas normas técnicas, como também no modelo de especificação das portas nas obras de todo o Brasil.
A construção civil brasileira passa por um momento de crescimento sem precedentes na história recente do País. Capitalizadas na bolsa, muitas construtoras estão com folga no caixa. No entanto, este momento merece muita cautela por parte dos construtores, engenheiros e arquitetos. Os eventuais registros de falta de insumos para as obras não podem virar motivo para se correr o risco de ceder e confiar em produtos piratas que não atendem às normas técnicas.
A indústria nacional que produz com qualidade tem na sua maioria uma capacidade ociosa ou de crescimento rápido que só depende do apoio de mercado exigindo material em conformidade. Esta é a garantia que o mercado deve oferecer aos empresários e investidores.
Construtoras sólidas técnica e financeiramente não podem continuar se expondo ao risco de usar materiais sem conformidade e de baixo desempenho que podem auxiliar em favor de futuras demandas judiciais de clientes. Os avanços de crescimento do segmento imobiliário no Brasil devem contribuir para acelerar este reposicionamento dos especificadores e compradores da construção civil, afinal não vale a pena ficar acumulando "passivo técnico" em cada obra realizada. Este é o grande ônus do uso de materiais e sistemas piratas na construção civil.

(Gazeta Mercantil/Caderno A - Pág. 3) ROBERTO PIMENTEL LOPES* - Diretor-presidente da Multidoor)

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